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O Lobito não é uma cidade qualquer

Lobito e a sua história - compilação



Sábado, 12.05.12

Mais um pouco de história ... Lobito: importância como porto e futuro de cidade balneária

Lobito: importância como porto e futuro de cidade balneária

 

 

 

retirada no FB -Lobito100 - JCMilhazes

Nos primórdios da cidade - segundo Jaspert

 

Texto facultado cuja origen é desconhecida, mas que pela escrita é um texto bem antigo.

 

"...

Os leitores alemães recebiam uma imagem altamente favorável da situação natural e urbana de Lobito.

Constituído por uma estreita faixa de terra paralela à costa, em parte não mais larga do que 30 metros, tinha a sua rua principal ao longo dessa faixa, ladeada por casas construídas em estilo que Jaspert considerou como estranho. Eram edificadas sobre estacas, palafitas, eram de um só andar e tinham telhados de zinco.  Com exceção dos empregados inglêses da estrada de ferro, que construiam a via de ligação de Lobito às minas de cobre de Katanga, no Congo Belga, nessas casas residiam sobretudo funcionários públicos. Entre elas localizava-se também o hotel onde ficou hospedado. Os seus quartos agrupavam-se em edifícios secundários ao redor da sala-restaurante. Uma dependência se estendia pela praia.

Segundo Jaspert, se não fosse o calor escaldante, podia-se prever que Lobito iria transformar-se em poucas décadas em famoso balneário, tão magnífica era a sua praia.

Os navios podiam chegar até junto ao atracadouro, uma vez que atingia-se a profundidade de 20 metros já há pouco mais de cinco metros da costa.

No seu intuito de tornar a leitura agradável através da menção de casos grotescos ou engraçados, Jaspert demorou-se a contar peripécias que passou com as suas bagagens. Estando ali atracado o vapor português de carga "Guiné", o navio em que viajava precisou ancorar ao largo. Devido ao risco de ter que esperar vários dias pela bagagem, foi à terra na barca do guarda da alfândega e dirigiu-se ao cônsul alemão, tentando conseguir um bote para trazer a sua bagagem à terra. Ao contrário desse cônsul, do qual não recebeu auxílio, os portugueses foram gentís, logo se conseguindo um bote para ir ao "Benguela" buscar a bagagem. Entretanto, após ousadas tentativas de descer as pesadas malas com os arados aos pequenos bote, as mesmas tiveram que permanecer a bordo.

A descrição da vida em Lobito é feita através da própria vivência de Jaspert. Deixou-se barbear ao ar livre, sob esbeltas palmeiras de óleo, passou pela praia à noite, contemplando as luzes do seu navio e de vários outros vapores à luz rubra do luar e encantou-se com as silhuetas negras dos coqueiros que criavam como que um cenário de teatro. As noites no hotel eram prejudicadas pelos insetos; durante o dia quase que não se podia sair devido ao calor.

Apenas uma vez andou da parte extrema da ilha, onde havia uma estação de cabo inglêsa, pela alameda onde se localizavam as casas dos funcionários do correio e da ferrovia, passando pelas casas dos consules inglês e alemão, até as docas do porto. Essas haviam ou estavam sendo construídas de forma sólida, com capital inglês. Não pôde ir mais longe, pois todo o interior era coberto de charcos negros devido à matéria em decomposição e que emanavam odores que faziam difícil respirar. Apenas o aterro da ferrovia e uma estrada cortavam essa região. Os portuguêses ainda não tinham conseguido drenar o terreno, que era um foco de malária e pestilências.

 

De Lobito ao interior

Finalmente, numa terça-feira, teve início a viagem de trem para o interior. O autor descreve como as suas malas foram carregadas por 18 angolanos que, com elas à cabeça, as levaram à estação ao som de cantos. Essa menção de Jaspert testemunha a prática do canto de carregadores africanos, também conhecida no Brasil.

Às 13 horas, sob uma temperatura de 54 graus, o trem se pôs em movimento. Ao abandonar Lobito, Jaspert constata não ter ainda conseguido digerir as impressões que recebera e as experiências que fizera. Tudo era tão diferente da Europa, que um visitante europeu necessitava de muito tempo para compenetrar-se e avaliar o que vira. Por todo o lado apenas pessoas de cor, palmeiras no caminho, ninguém entendia a língua do visitante - sendo este constantemente envolvido por palavras incompreensíveis -, o calor insuportável, a outra organização do dia-a-dia, a maneira diferente do pensar e sentir.

..." 

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por sao pernadas às 23:55



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